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Viúva Negra - Sono, chato e a fórmula do desespero | Crítica

O longa faz a fórmula Marvel mais parecer a fórmula do desespero
 
Viúva Negra
 

Publicado por: Lexrenato
 
ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS ESSENCIAIS PARA O APROVEITAMENTO DA OBRA - LEIA APENAS SE JÁ TIVER ASSISTIDO
 
Após diversos adiamentos em decorrência da pandemia, chega finalmente aos cinemas e ao Disney Plus, o já tão atrasado Viúva Negra. Longa que dá a Scarlett Johansson (Natasha/Viúva Negra) o seu primeiro e único filme solo no MCU

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E como já citado, o primeiro aspecto que já chama atenção sobre o longa, é o quanto ele está atrasado. É claro, tivemos todo esse problema da pandemia que fez com que a grande maioria das produções cinematográficas atrasassem, no entanto, para além disso, o filme está atrasado se posicionado na linha temporal do Universo Marvel, já que a obra vem nos contar eventos próximos ao Vingadores: Era de Ultron. Mas até aí, tudo bem…

A Marvel, como já tem feito há anos, prefere jogar no seguro, e traz um filme com uma trama relativamente simples, e sem muitas invencionices, porém, o tiro saiu pela culatra. Ao buscar a já tão famigerada fórmula Marvel, o longa praticamente replica o mesmo roteiro de Capitão e o Soldado Invernal (considerado um dos melhores da franquia), o problema é que faz isso de uma forma extremamente sem personalidade. Ao tentar replicar um roteiro de sucesso, a direção de Cate Shortland, foi encaixando peças de forma quase que infantil (O Capitão América vai ser a Natasha, o Soldado Invernal vai ser a Treinadora…), e isso demonstra talvez um total desinteresse de um verdadeiro investimento na obra. Um grande problema de uma escolha como essa, é que as motivações vão se perdendo, ficando frágeis, deixando o roteiro sem base alguma para se sustentar, é aí que surgem, por exemplo, sofrimentos artificiais como os de Natasha.

Para complicar ainda mais, o filme aposta praticamente todas as suas fichas em sua ação, de forma a fazer o telespectador esquecer todas as patacoadas do roteiro, já que isso deveria tornar o longa divertido de ser assistido. O problema, mais uma vez, é que essa ação é daquelas bem medianas. As lutas, que poderiam ser extremamente chamativas, são compostas por aqueles cortes frenéticos e câmeras que balançam, fazendo você se perder totalmente em alguns momentos. E piora, os efeitos mal trabalhados, em alguns momentos parecem ter sido renderizados em um PC da Xuxa. Não é possível que não conseguiram caprichar no VFX das chamas, chega a ser amador.

Não acabamos ainda. Se de um lado temos uma Scarlett totalmente no automático ao que tange a sua interpretação, temos do outro uma Rachel Weisz (Melina), com pouquíssimo tempo de tela, um aproveitamento medíocre para o porte da atriz, o que é uma verdadeira pena. Já o grande vilão, Dreykov (Ray Winstone), parece que saiu da mente de um iniciante, pois é uma das representações mais clichês que o cinema já foi capaz de produzir. Um cafetão, dono de uma corporação maléfica que quer dominar o mundo. Bléh!
 
Yelena

Para piorar mais um bocado, se é que ainda tem como, temos o personagem de O. T. Fagbenle (Agente), que é usado preguiçosamente como artifício do roteiro para ajudar Natasha. Então quando a protagonista precisa de qualquer coisa, lá está ele para resolver. O roteiro ainda acha que engana ao dificultar a vida da moça com equipamentos velhos ou com defeito, mas que no final resolvem o problema de qualquer jeito. E o que falar do paraquedas que está exatamente no lugar certo? 
 
Para não dizer que o filme é um completo desastre, temos felizmente a interpretação de Florence Pugh (Yelena/Viúva Negra), que faz um sotaque caprichado, e consegue dar peso a grande maioria das suas cenas, bem diferente de sua irmã… A moça encanta o quanto pode dentro dessa loucura, e serve como um reboot para a personagem Viúva Negra, já que é possivelmente com ela que o MCU seguirá daqui em diante. Já David Harbour como Guardião Vermelho, é ao menos um pouco engraçado.

O longa ainda ganha pontos ao satirizar os próprios filmes baseados em HQs, como quando Yelena brinca sobre as poses de Natasha, e lá na frente se vê fazendo o mesmo.

Infelizmente Viúva Negra não passa de uma aventura genérica que nem mesmo em sua proposta - a ação - consegue trazer um bom filme. Desta vez, a Marvel tentou mirar no básico, e no agradável, porém, só conseguiu acertar no clichê e no sono.

AVALIAÇÃO: 2.0