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Mortal Kombat - Confuso, repetitivo e violência a vontade | Crítica

Scorpion
 
Publicado por: Lexrenato
 
ESTE ARTIGO NÃO CONTÉM SPOILERS 
 
Um dos filmes mais esperados de 2021 (pelo menos para mim), Mortal Kombat finalmente foi lançado. Infelizmente aqui no Brasil, o longa foi adiado diversas vezes em decorrência da pandemia do coronavírus, e agora está previsto apenas para 13 de maio
 
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Com um orçamento de cerca de US$50 milhões, o filme já indicava uma produção modesta, tendo em vista que é comum que os grandes estúdios (como a Warner), ofertarem um valor reduzido para longas com classificação indicativa de 18+ anos. Levando este quesito em consideração, me surpreendeu que os efeitos visuais estavam até muito atraentes, há de se destacar, por exemplo, o capricho do gelo, fumaças, e chamas. Como claro nem tudo são flores, foi possível perceber o baixo orçamento nos efeitos especiais usados no Goro, porém, não é nada que vá realmente lhe incomodar.

Talvez você já tenha lido por aí que o roteiro do filme é fraco, e sou obrigado a concordar com as más línguas. A decisão do diretor Simon McQuoid de trazer um personagem novo, cai na velha cafonice do “o escolhido”, história batida e revista diversas vezes. Criar marcas, linhagens de sangue, poderes ocultos, tudo isso é mais do que enfadonho a grande maioria das vezes… O protagonista Cole Young (Lewis Tan) por sinal, é genérico e sem sal, o que dificulta muito a identificação dos telespectadores com o longa.

Ainda como ponto baixo, é importante salientar o fato que o filme pouco explica ao telespectador do que se trata a trama. Uma mera explicação de 30 segundos sobre o torneio Mortal Kombat, deixa tudo tão raso que você até esquece do por que tem toda aquela galera lutando entre si. Claro que para alguém como eu, que conhece todo o desenrolar da história graças a anos de jogos, fica muito mais fácil entender o que está acontecendo, no entanto, se você é uma pessoa comum que não acompanha o jogo, tenho certeza que você sairá muito confuso.

Para complementar o fato da confusão, um outro problema atribuído novamente ao roteirista, é que tudo acontece de uma forma extremamente corrida. O longa tem histórias demais para suas 1h50min, o que deixa os núcleos compactados, fazendo com que as situações percam seu peso. Para piorar, a dramaticidade das cenas é quase zerada na maioria das vezes. 
 
Sub-Zero

Felizmente o longa não é um total desastre, a começar pelo visual dos personagens que estão super bem feitos, e respeitam o design base do jogo. Além disso, os poderes, o background dos personagens, e alguns ambientes apresentados, são fiéis o suficiente para homenagear a franquia. Fãs encontrarão referências para todo lado. 
 
Obviamente quem rouba a cena do longa são Scorpion (Hiroyuki Sanada) e Sub-Zero (Joe Taslim). Os dois protagonizam as melhores lutas e os melhores - apesar de pobres - diálogos. As interpretações dos dois estão claramente acima do restante do elenco, a ponto de até parecerem deslocados visto sua tamanha qualidade em um filme canastrão. Liu Kang (Ludi Lin), uma grande promessa que está apenas Ok, e Raiden (Tadanobu Asano) é uma decepção total.

O que não poderia faltar é claro, é sangue e muita violência, digna do que toda a franquia de jogos foi capaz de trazer nos últimos anos. Este é claro, mais um ponto que deve agradar os fãs. Alguns "fatalities'', por exemplo, até são semelhantes aos apresentados no jogo, e se você é um daqueles que adora jogar de Sub-Zero, você vai adorar ver o que ele faz por aqui. Não tem como não gostar também do “Get over here” de Scorpion. Eu adoraria ter visto muito mais desta rivalidade entre os clãs.

No geral, o filme é corrido, roteiro simplificado e cheio de clichês, tendo como ponto alto apenas o fato de conseguir manter a atmosfera dos games, o que para muitos de nós já pode ser uma grande coisa. Ao menos, apesar de sua qualidade questionável, o longa consegue fazer cair por terra todas as obras anteriores, fazendo finalmente jus ao nome Mortal Kombat.

AVALIAÇÃO: 3.0