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Mulher-Maravilha 1984 | Crítica

Mulher-Maravilha 1984

ESTE ARTIGO CONTÉM MUITOS SPOILERS QUE SÃO ESSENCIAIS AO LONGA, LEIA APENAS SE JÁ TIVER ASSISTIDO!
 
Publicado por: Lexrenato
 
Depois de diversos adiamentos em decorrência da pandemia, chega finalmente aos cinemas e ao HBO Max, o tão aguardado Mulher-Maravilha 1984
 
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O longa consegue começar já muito bem com o núcleo desenvolvido em Themyscira, que é quando Diana ainda é uma criança. As cenas são lindas de serem assistidas e a dinâmica da cena faz todo sentido para uma heroína que está em construção. Os atuais filmes da DC Comics parecem saber como fazer ótimas introduções.

Partindo já para a história principal, muito se questionava como Steve Trevor (Chris Pine), voltaria a reencontrar Diana (Gal Gadot), já que ele era visto em todos os trailers mesmo tendo morrido no filme anterior. Confesso que a solução apesar de compreensível (uma pedra mágica de desejos), me pareceu um pouco pastelona, pois um "espírito" ou seja lá o que era, dentro de outra pessoa, me lembra aquelas comédias fraquíssimas que nada tem de engraçado, sem contar que tal ideia já foi tão utilizada, que começa a se apresentar como clichê.

A situação começa a ficar realmente ruim quando percebo os altos e baixos de seus efeitos especiais. Ao mesmo tempo que existem cenas lindas da heroína movendo seu laço em um shopping, existem também cenas horríveis dignas dos anos 80 (foi de propósito). No arco que acontece no Cairo por exemplo, praticamente tudo é ruim. Diana por muitas vezes parece estar correndo em uma esteira, ou apenas fazendo movimentos de corrida pendurada por cabos, o que deixa alguns momentos até engraçados mesmo a cena tentando dizer que é sério. Outro problema são os constantes fundos verdes tão fracos que me lembraram o famigerado filme do Lanterna Verde. Uma das principais cenas que quer ser a mais épica de todas o voo da heroína é completamente falsa, o que me fez questionar como não usaram as mesmas técnicas do voo do Superman em Homem de Aço que foi um espetáculo. Para encerrar com o quesito de efeitos (ou defeitos), a Mulher-Leopardo até que não está tão ruim. Em alguns momentos fiquei comparando com os de Cats, mas cheguei a conclusão de que aqui está um pouco superior.

E os problemas do longa não param por aí, o roteiro apesar de tentar emular as histórias clássicas, ou o ambiente dos anos 80, consegue apenas cair na cafonice. A retratação da época não é crível, é apenas um estereótipo criado para as pessoas daquele período, o que fica bastante forçado.

A estrela do longa, Gal Gadot, infelizmente só consegue entregar uma boa interpretação quando se utiliza de seu carisma, quando a personagem precisa de drama, novamente caímos na cafonice. Não posso esquecer de citar também que alguns de seus poderes surgem quase que do nada, apesar de haver uma tentativa explicativa de que como aquilo foi parar ali, o roteiro não soube como introduzir as novas habilidades isso fica bastante óbvio no jato invisível e nos novos poderes do laço mágico. Se voltarmos ao fato do voo, ela “aprende” a voar por uma justificativa quase ridícula. 
 
Max Lord

Apesar disso, nem tudo é ruim aqui. As interpretações de Pedro Pascal (Max Lord) e Mulher-Leopardo (Kristen Wiig), são de longe a melhor coisa que o filme tem. Os dois, apesar de seus personagens também terem problemas, conseguem deixar o longa mais interessante, e rapidinho a gente passa a se interessar mais pelo arco deles do que o próprio da Mulher-Maravilha. Já a relação de Diana e Steve também tem seus pontos legais, alguns dos momentos são espelhados do filme anterior, mostrando que agora é Steve quem está deslocado na sociedade, esse fato rende boas cenas, principalmente quando voltadas para o clima cômico.

O filme consegue também ter um terceiro arco muito superior ao primeiro longa, apesar de ainda apresentar um resquício daquela necessidade de terminar um filme com um show de luzes, aqui as decisões são bem tomadas, claras, e engrandecem o discurso que a General Antíope (Robin Wright), fez para Diana quando criança.

Percebi ainda que muita gente reclamou das poucas cenas de ação do longa, e isso é verdade, o filme claramente abdica de “porradas” deixando tudo mais limpo, focando mais em empurrões e puxadas principalmente. Neste ponto a frustração está mais ligada à própria expectativa do telespectador, pois o filme em nenhum momento quis se tornar algo épico neste sentido. O nível de violência está no mínimo, sendo demonstrado mais graficamente apenas com alguns arranhões em Diana.

Mulher-Maravilha 1984 tem muitos problemas, e não consegue chegar nem perto do impacto que seu antecessor conseguiu, porém consegue trazer uma bela mensagem de esperança, relações humanas, e momentos divertidos para quem quer se divertir um pouco neste final de ano.

AVALIAÇÃO: 3.0