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The Boys | Crítica (2ª temporada)

The Boys
 
ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS!
 
Publicado por: José Renato
 
A segunda temporada de The Boys já se iniciou com polêmica, a Amazon Prime Video, decidiu por lançar um episódio semanal, e isso fez com que muitos usuários ficassem irritados, principalmente os que estão acostumados com o padrão Netflix. Porém, tudo parece ter dado certo para Amazon, já que a série foi sendo comentada a cada episódio, e conseguiu ter uma audiência bem maior que a primeira temporada. 
 
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A princípio, a temporada começou incrível a inserir uma personagem polêmica. Tempesta (Aya Cash), chegou com carisma, e até causando boas impressões nos momentos iniciais, mas logo foi sendo desmascarada propositalmente, apenas para te demonstrar o quanto nós podemos ser enganados. O discurso muitas vezes velado, mas que mostrava um claro preconceito por parte da personagem, foi esclarecido com a revelação de que a tal era uma Nazista. O assassinato de um negro, e a constante tensão com o Trem-bala (Jessie Usher), serviram para alavancar essa revelação da personagem. Além disso, Tempesta tem um discurso distorcido ao falar de genocídio branco, um tapa na cara daqueles que insistem em argumentar o estranho racismo reverso. Para piorar ainda mais, a personagem se demonstrava expert em manipulação, pois constantemente usava palavras de ódio para com o outro, desenhando um inimigo que precisa ser destruído, "pois eles acabarão com o nosso país", mais um tapa naqueles que alimentam um medo constante por comunistas. Tempesta é perfeita em manipulação social, até mesmo com ferramentas bastante atuais, como os famosos memes de internet. Sem dúvidas, a personagem foi o grande destaque da temporada, pena que se foi tão cedo. 

Já o queridíssimo Capitão Pátria (Antony Starr), se absteve a ser manipulado por Tempesta quase que a temporada inteira, para no fim perceber que é dependente demais da sua imagem. É importante lembrar que o personagem continua tendo cenas bizarras, criando expectativas nos telespectadores a cada momento que aparece. Infelizmente os produtores não tiveram coragem de dar mais veracidade a oscilação emocional do Capitão, reduzindo a uma mera imaginação o que poderia ter sido um dos melhores momentos da série. 
 
Tempesta

As cenas de ação infelizmente foram fraquíssimas tecnicamente falando. O balançar de câmeras e uma constante insistência de cortes entre os golpes, demonstram pouco ensaio por parte da equipe, no entanto, é bom esclarecer que não é nada além do que você já não esteja acostumado. Apesar disso, nazista apanhando ainda é uma coisa boa de se ver. Outro problema da segunda temporada, são os momentos convenientes demais - como quando Tempesta aparece para os mocinhos, ou quando foge da surra que levava e encontra Becca
(Shantel VanSanten) aleatoriamente na floresta.

Sobre os mocinhos (que não são tão mocinhos assim), os roteiristas trouxeram os fechamentos de arcos que tanto gosto. Encerrar o sofrimento de Butcher (Karl Urban) com Becca, foi um grande acerto. Luz-Estrela (Erin Moriarty), perceber que precisa estar infiltrada para encarar os problemas da Vought, reforçou que a personagem não é mais a menina ingênua do início da série. Já Hughie (Jack Quaid), entende finalmente sua necessidade de companhia, e decidi escolher seu próprio caminho, sem depender mais de Butcher. Todos, até mesmo aqueles que não citei, tiveram boas soluções para seus conflitos, sejam internos ou externos, levando para quase zero o sentimento de frustração que poderia ocorrer com o encerramento da temporada

A série, que se vendeu como uma sátira aos já tão cansativos filmes de heróis, conseguiu se tornar algo melhor do que apenas isso. Mantendo toda a característica que a fez ter tanto sucesso, os produtores foram certeiros ao ir adicionando contextos sociais cada vez mais mais elaborados e adicionando cada vez mais camadas aos seus personagens, desta forma, fazendo de The Boys um dos melhores seriados da atualidade. 

AVALIAÇÃO: 4.0