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Por que o Snyder Cut é tão importante?

Snyder Cut

Mesmo que você não seja fã das obras pesadas do diretor Zack Snyder, deve ter visto há algumas semanas atrás, notícias do tão famoso Snyder Cut. O anúncio do filme bombou tanto, que é quase impossível não ter visto nada a respeito. Passando nos perfis do HBO Max no Twitter e no Instagram, constatei que o anúncio desse filme é disparado as postagens de mais sucesso que eles têm. 

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José Renato

Para te contextualizar rapidinho. Snyder foi contratado pela Warner para fazer um universo compartilhado dos personagens da DC Comics, o DCEU. Após os filmes O Homem de Aço (2013) e Batman vs Superman (2016), Snyder produziu um longa que reuniria vários integrantes desse universo de uma só vez, o polêmico Liga da Justiça (2017). Acontece que em dado momento uma das filhas do diretor cometeu suicídio, forçando assim Snyder a sair da direção do filme, com isso a Warner aproveitou e contratou Joss Whedon de dois filmes de sucesso na Marvel, Vingadores e Vingadore: A era de Ultron, para assim ele poder terminar o longa e fazer algumas alterações criativas. O que se viu ao final de tudo isso foi uma das piores montagens que pude ver na grande tela, um completo desastre.

Principalmente a fanbase da DC - que são muitos - ao ver aquela Emília travestida de filme, passou a fazer campanha pelo Snyder Cut, que seria a versão de Liga da Justiça produzida originalmente por Zack Snyder, sem as alterações feitas por Whedon. A campanha levantava várias vezes a hashtag #releasethesnydercut, algo como “lance a versão de snyder”, um apelo desesperado para a liberação por parte da Warner.

Durante todo esse período de embate de fãs vs Warner, Snyder sempre foi muito claro em suas redes sociais. A sua versão do filme existe sim! o que acalorava cada vez mais os fãs no mundo todo.

Mas ok, essa novela você talvez já conheça, o que tem isso de tão importante? Bem, poderia eu focar na vitória por parte dos fãs, que sim, foram um grande peso para o filme se tornar realidade, mas prefiro discorrer um pouco sobre o outro lado. O diretor.

Era evidente o entusiasmo de Snyder ao falar do universo que estava criando para os personagens da DC. Para aqueles que, assim como eu, o seguem no Twitter e via suas lives no Vero, era de se perceber o amor com que respondia e explicava cada pequena coisa que colocou no filme, quase que um pai falando orgulhoso das conquistas do filho. E é exatamente aqui que quero chegar. De certo que a perda da filha deve ter sido um sofrimento imensurável, e logicamente não estou aqui para discutir isso. Mas além dela, o diretor perdeu também todo o seu projeto e todo o seu investimento criativo. Era perceptivo acompanhar o desgosto do homem ao ver tudo aquilo ser desmontado. 

Save Martha

Snyder não é um santo como muitos fãs querem pregar, nós sabemos dos vários erros existentes em BvS, no entanto, o diretor foi arrancado da sua versão da história, sendo esculachado por algo que ele tanto queria fazer, e ainda levou certa culpa pelo desastre do seu projeto modificado. 

Sabemos é claro que a produtora faz filmes pelo dinheiro, já que não faz sentido uma empresa financiar algo com milhões se não for esperando lucrar muito mais com aquilo. É mais do que óbvio o interesse da Warner em alavancar o seu novo serviço de streaming, pois como não é boba, vem percebendo o alcance que tem o longa entre os fãs e nas redes sociais. Sendo assim, a lógica comercial não dá tanto espaço para sentimentos, que eram evidentes por cada relance das palavras do diretor.

Um colega chegou a comentar que sou um defensor fervoroso do Snyder, pois o defendo em cada discussão que apareça. Confesso que ele tem razão a certo modo, já que gosto da visão que o diretor tenta dar a suas obras, no entanto, falamos aqui de algo muito maior, os sentimentos de um ser humano. Além disso, gostar de algo ou de alguém, não significa que não devemos criticá-lo, e me defendo sempre apontando o quanto horrível achei a solução do save Martha.

Voltando ao desmonte, talvez você saiba, - ou talvez não - como é ter orgulho daquela pequena imagem tratada, daquele texto maravilhoso que escrevemos (que esse não é o caso), ou de qualquer produção em que investimos tempo, disposição, pesquisa, até chegarmos a melhor versão do que podemos fazer. Ter orgulho dessas nossas produções é bom, e é inerente a todos nós. Isso também dá significado a nossas vidas. Por que mais você faria qualquer coisa pública se não fosse para os outros verem? E para se agradarem do seu trabalho? Sentir o gosto de um elogio também nos dá uma puxada de corda. Nós queremos reconhecimento, nós também vivemos da satisfação de nossas conquistas.

O Snyder Cut não é só uma conquista dos fãs, é a vitória de um homem, de um ser humano que está tendo a oportunidade de sentir, mesmo que de relance, o prazer do seu mais ambicioso projeto.