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A Visita | Crítica

A Visita

Artigo escrito por: Isadora
Criadora do Último Take
Instagram: @ultimotake

A Visita é um longa, de 1h35m de 2015, dirigido por M. Night Shyamalan e estrela do por Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Deanna Dunagan e Peter McRobbie. O filme relata a história de Becca e Tyler, dois irmãos que decidem visitar seus avós que nunca conheceram, devido ao fato de que sua mãe fugiu de casa aos 19 anos. Durante a viagem, Becca, uma aspirante a cineasta resolve documentar tudo junto ao seu irmão, fazendo com que seja possível o registro de cada momento dentro da casa, da personalidade e mania de seus avós e demais acontecimentos.

O filme nasceu a partir de uma união entre Shyamalan, diretor e roteirista do mesmo, em parceria com o produtor do longa de terror Atividade Paranormal. Tal união resultou em um found footage elaborado e sofisticado, que causa um certo elo entre três gêneros cinematográficos: a comédia, o drama e o terror, sendo o último o mais evidenciado e escolhido como gênero principal e oficial da trama. Tal união foi certeira e percursora para que Shyamalan pudesse recuperar sua moral nos meios cinematográficos, uma vez que o permitiu retomar as rédeas daquele que seria o tipo de filme que o mesmo possui controle, aptidão e conhecimento para realizar.

Shyamalan iniciou sua carreira com o longa de terror e suspense, de baixo orçamento e de muita repercussão positiva pelo público, críticos, estudiosos, entendedores e premiações, chamado Sexto Sentido, sendo inclusive chamado de o novo Hitchcock e o diretor com mais visão da nova era de criadores. Entretanto, a fama e o recurso financeiro para realizar filmes fez com que o cineasta em ascensão encontras e seu limbo, após seu outro longa, também de sucesso e considerado um grande filme, Corpo Fechado, que foi considerado como o responsável por fechar a carreira de sucesso do diretor. A partir daí, M. Night entrou em decadência e começou a perder o controle e o rumo de seu próprio cinema e de sua própria autoria. A Visita então, chegou para mostrar ao público e ao próprio cineasta que permanecer nas raízes não é algo ruim, permitindo o retorno ao genialismo do novo cinema de terror e o fazendo recuperar as rédeas de seu estilo e se tornar novamente o grande diretor de Sexto Sentido e Corpo Fechado.

O filme é uma crítica nítida do conto juvenil João e Maria, onde Becca está sempre protegendo seu irmão mais novo e documenta todo o caminho percorrido para que não haja perdas, fator que fica totalmente claro no momento em que a avó pede para que a mesma limpe o fogão, fazendo com que a menina entre completamente dentro do mesmo e o fechando. Além de tal fato, o próprio filme faz uma crítica ao próprio método utilizado, o found footage e aos grandes filmes de terror, como O Grito e o próprio Atividade Paranormal, o que causa uma comédia sutil, que encaixa na trama e que em momento algum soa forçado.

A Visita

A critica ao found footage entretanto, significa o ápice do drama e da comédia abrangente no filme, uma vez que a mesma é realizada com tamanho cuidado e técnica que em momentos nem ao menos parece ser um falso documentário, onde a personagem grava as cenas do próprio filme. Os movimentos de câmera são sutis e as angulações são perfeitas, o que incomoda a boa parte do público, entretanto, a meu ver tal fato é o que engrandece a composição do filme e traz à tona o terror para o mesmo, uma vez que Shyamalan dispensa qualquer clichê nítido do suspense e isso causa mais estranhamento e tensão ainda, pois com os clichês o medo já é esperado e assim, a tensão é construída gradativamente, fazendo com que seja estrondosa em seu ápice e totalmente inesperada. Tal método é utilizado também para aproximar o filme ao próprio diretor e deixá-lo com um ar um pouco mais familiar de possível, uma vez que o mesmo, em sua infância, era um grande fazedor de filmes caseiros, completando 45 obras com apenas 17 anos.

A Visita
trás de volta o velho Shyamalan que é irônico, perspicaz e que sempre aborda situações usuais na vida de personagens sem graça e usuais, sem contar que o faz novamente abusar de seus plot twists sempre conhecidos como geniais, o que casa e fecha completamente a trama iniciada, obrigando o espectador a repensar e interpretar o filme inteiro em seus minutos finais, o que fica nítido com Fragmentado, último filme lançado pelo mesmo, que é visto como uma grande obra por críticos, cineastas e pelo público, que fecha o ciclo do retorno de Shyamalan após seu hiatus, que agora veio para ficar e para deixar sua assinatura acima de qualquer coisa.