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365 Dias | Crítica


365 Dias

Recentemente os grupos de cinema em que participo foram tomados quase que completamente por comentários desse filme, que estreou recentemente na Netflix. 365 dias (365 dni), é um longa polonês lançado em fevereiro deste ano.

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Antes de tudo, vamos falar de polêmica. O filme foi muito criticado por apresentar uma relação totalmente disfuncional, em que uma mulher sequestrada se “apaixona” por seu sequestrador. A relação é glamorizada por um homem com beleza padrão, milionário e gangaster, que em um ato criminoso, decide raptar uma mulher apenas a vendo passar pela rua. O filme escolheu uma das formas mais problemáticas de se contar uma história de amor, que de romântica não tem nada. Porém, isso está longe de ser o único problema do longa.

A obra já se inicia tentando, veja bem, tentando uma montagem inteligente ao ficar saltando entre duas cenas diferentes, algo tão ruim que até mesmo o Chaves já fazia melhor há quase 50 anos atrás. A montagem tenta buscar com essa cena, apresentar os personagens de uma forma rápida, no entanto, o que consegue é apenas fazer com que você fique decepcionado logo nos primeiros 5 minutos.

As atuações estão horríveis. O ator Michele Marrone, o Massimo (nome totalmente clichê), é um canastrão quase que por completo. O homem até tenta chamar atenção para o seu próprio corpo, que é obviamente a intenção aqui, porém a direção pouco consegue tirar proveito do homem. Ainda sobre o personagem, é irritante o quanto ele fica repetindo “não me provoque…”, é algo bem chato. Já sobre Anna-Maria Sieklucka, a Laura, os problemas continuam. A moça tem o mesmo ar de canastrona do seu colega, são caras e bocas que chega até a ser engraçado (como a cena do sorvete). Vergonha alheia acredito que resuma bem.

365 Dias

E a famigerada trilha sonora? As músicas não são ruins, não entenda errado, o problema aqui é como elas são usadas. No início por exemplo, o gangster acaba de ameaçar várias pessoas e do nada começa a tocar uma música romântica. O mesmo acontece com a moça, que acaba de ser desrespeitada, sofre machismo, leva bronca do chefe e toca uma música romântica. Alguém me explica?

Com quase 2 horas de duração, o longa não justifica em nada seu tempo em tela. O roteiro, como mal desenvolvido que é, se apega a repetições incessantes, e vários momentos não conseguem agregar valor algum a trama. As cenas desnecessárias são tantas, que daria para diminuir 1 hora fácil. Nos momentos finais é quase como uma tortura, há uma música pop há cada 30 segundos, novamente colocadas em cenas sem significado. Fica até difícil encontrar uma montagem tão ruim para comparar.

Não poderia deixar de citar também as polêmicas cenas de sexo, que são a razão de tudo isso ter sido feito. O filme parece querer brincar com as fantasias sexuais do público feminino, tanto é que a protagonista expressa isso com todas as letras. De certo deve ter ido de encontro ao imaginário de algumas, porém, o que vi na verdade foi uma comunidade de mulheres revoltadas com o que foi apresentado, ou seja, o tiro saiu pela culatra.

Caso você tenha curiosidade, sim, 50 tons de cinza consegue ser muito melhor.


AVALIAÇÃO: 0,5