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O que Zack Snyder queria fazer com o Superman?

Homem de Aço

ARTIGO ORIGINALMENTE ESCRITO EM JANEIRO DE 2018

Apesar de já ter passado um tempo considerável do lançamento do primeiro filme do DCU (Universo Compartilhado da DC), o assunto está demorando anos para morrer. Zack Snyder por exemplo, parece não seguir em frente e insistentemente vem postando fotos de sua versão do filme da Liga da Justiça (2017) em suas redes sociais. Com essa onda em mente, decidi demonstrar uma reflexão que fiz na época do lançamento do longa, reflexão essa sobre uma de suas várias polêmicas — a tão criticada versão do Superman. 

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Me deixe te contextualizar! O diretor Zack Snyder foi contrato pela Warner para colocar em prática um universo compartilhado dos heróis da DC no cinema, visto o sucesso estrondoso que a Marvel vinha fazendo com seu MCU. E para começar esse universo o diretor já chegou “chutando a porta”, trazendo o longa O Homem de Aço (2013), que apresentou uma versão totalmente diferente do Kryptoniano da qual estávamos acostumados. 

No filme Superman (1978), o personagem foi tratado de forma mais fiel ao imaginário da maioria dos fãs, um herói carismático e que resolve simplesmente todos os problemas a sua volta, um verdadeiro deus entre os homens. E aqui está exatamente o que Snyder não queria, um ser capaz de resolver tudo facilmente. 

Voltando ao filme O Homem de Aço, o diretor demonstrou que mesmo com todos aqueles poderes, o novo Kryptoniano (Henry Cavill), não levaria a vida numa boa. Uma das primeiras cenas que demonstra isso, é quando Jonathan Kent (Kevin Costner), está prestes a ser levado por um tornado, e naquele momento Clark poderia simplesmente ir e tirar o seu pai da situação de perigo, porém Jonathan acena para que o herói nada faça, fortalecendo o seu discurso que teve boa parte do filme, de que ele — o Superman — não poderia solucionar todos os problemas do mundo

Além dessa, Jonathan ainda lhe ensinou outra muita importante regra da vida, a regra da perda. Aqui Clark aprende que é necessário lidar com o sentimento de impotência. Diferentemente do clássico Superman que até volta no tempo por que não consegue lidar com a morte de sua amada e que é até aplaudido por isso, esse novo representante da esperança de Snyder, precisaria passar por tudo isso para crescer como herói. 

No final do mesmo filme, o Super-Homem aprende também sobre a necessidade de matar. A tão famosa cena em que ele quebra o pescoço de Zod (Michael Shannon), — cena essa tão criticada por fãs — também chega com uma mensagem clara de que as vezes escolhas difíceis e extremas precisam ser tomadas. Na visão dos mais conservadores ele deveria ter tido outra atitude, mas que atitude? Ninguém sabe. 

Em Batman vs Superman (2016) — e já deixo claro que reconheço os diversos problemas que o longa apresenta — o Kryptoniano agora precisa lidar com as consequências do que fez na cidade em sua batalha contra Zod. Além disso — em um ato de terrorismo de Lex Luthor — ele aprende mais uma vez que não consegue salvar todo mundo, e pior, alguns irão morrer indiretamente por sua causa. Até aqui, Snyder mostrou um Superman que sofre, que precisa refletir sobre o que fez e o que fará adiante. Até que toda essa construção foi interrompida.

Pulando para o tão criticado Liga da Justiça, vi o que eu não gostaria de ver. Dessa vez o Superman reaparece como que por mágica (pois tinha morrido dramaticamente no filme anterior), e sem o menor esforço derrota o inimigo enquanto faz graça. Aqui, a visão de Snyder já tinha sido completamente rejeitada e essa pandeguisse era a versão do diretor Joss Whedon que o substituiu no meio da produção do longa. 

Snyder tentou criar um personagem reflexivo, um herói que apesar do mito, estava sendo humanizado, questões únicas e pouco pensadas no universo de longas baseados em HQ’s. Infelizmente sua visão não foi aceita, e isso não o exime de certa culpa, porém, a quase total rejeição de sua versão partiu de uma parcela conservadora de fãs que não aceita nada além do que lhe seja considerado correto, um apego quase infantil a ideais concretizados e imutáveis. 

Talvez nunca mais sejamos capazes de usar o cinema como ferramenta de tais reflexões, pois possivelmente estaremos mais preocupados com a qualidade das piadas. 

Um abraço!