Nós (Pllano Geral)

ESSE ARTIGO CONTÉM SPOILERS!

O suspense/terror ainda não está enterrado.

Essa frase é significativa para mim, já que ando bastante decepcionado com essas novas obras que tenho visto. Nós, do diretor Jordan Peele, veio para mostrar que dá sim para quebrar vários clichês e continuar ainda bastante assustador.

Claro que, o filme não é impecável. Fica confuso ao mostrar uma quantidade exorbitante de “acorrentados”, e se contradiz algumas vezes dentro de sua própria mitologia – como quando a Adelaide Wilson (Lupita Nyong'o), demostra prever os movimentos da sua outra eu, mas sem explicação nenhuma recebe um golpe fatal. Tudo bem que não podemos cobrar que se tenha explicações para tudo em um filme, até chega a ser um ponto positivo deixar algumas situações interpretativas, no entanto, aqui isso não foi bem utilizado, fazendo com que as questões abertas frustrem o telespectador, e deixem aquele gostinho de “poderia ter sido melhor”.

O filme acerta no suspense, principalmente no início, fazendo com que o primeiro ato seja sem dúvidas o melhor. A obra consegue distorcer bastante o clichê de invasão familiar, trazendo certos eventos que a gente não espera – como não se conter apenas a casa da família principal – porém, é também nesse momento que o filme desliza novamente, fazendo com que os acorrentados sejam exímios assassinos com a família secundária, mas quando se trata dos protagonistas, os assassinos dão aquela parada para discursos desnecessários ao invés de simplesmente matar.

O diretor Jordan Peele que também dirigiu “Get Out”, traz novamente o elenco praticamente todo de negros, fazendo dos mesmos, protagonistas de uma obra em que o tema não é o racismo, e isso é muito importante. É claro que tratar do preconceito ainda precisa ser trabalhado, mas reduzir o talento dos atores e atrizes negras a esses temas, pode deixar estagnada a luta deles mesmos. Nisso, Peele acerta em cheio, mostrando que podem oferecer muito mais que esse discurso.

E é muito mais que isso mesmo, a atriz Lupita Nyong’o, natural do Quênia, é fantástica, ela leva o filme praticamente nas costas. É necessário relembrar que a moça já ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme “12 Years a Slave” (12 anos de escravidão), o que é incontestável. Seu nível de expressividade é tanta, que ela por si só já consegue ser assustadora, sem interferências extensas do roteiro ou efeitos sonoros. Acredito ser natural pensar que moça receba a premiação de Melhor Atriz em alguma obra futura.

Nós é uma montanha russa, variando entre momentos maravilhosos e momentos fracos, a obra não embala e nem estagna. Com os dois últimos atos sendo apenas a parte que desce dessa montanha. Por ter algumas novidades e uma atuação excepcional, Us ainda é uma boa pedida para quem quer apostar no suspense.

NOTA DO FILME: 7,0

Um abraço galera.

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