Machismo (Pllano Geral)

Eu, em meu humilde conhecimento sobre o mundo, fico me perguntando por que motivo ainda existem pessoas desacreditando do machismo? Não sei se consigo responder essa questão. 

Resumidamente, o machismo pode ser compreendido como uma forma de opressão, em que, na maioria das vezes é cometida pelo homem sobre a mulher. O machismo é uma forma de violência, seja física ou psicológica, e está enraizado em nossa sociedade de tal maneira, que por muitas ocasiões chega a ser imperceptível.

Você homem, assim como eu, já se preocupou em andar a noite por uma rua escura? Se você tiver bom senso, é óbvio que sim! Nós temos medo de sermos assaltados, de levarmos um tiro, de deixarmos nossas famílias ou de perder nossos pertences, no entanto, tem uma coisa que não temos medo, o de sermos estuprados. E por que não? Pasme, quem provavelmente irá te abordar será um outro homem, e se por um acaso do destino for uma mulher, dificilmente ela vai te obrigar a fazer sexo com ela. O estupro no Brasil é tão comum que me assusto toda vez que vejo as estatísticas, só para você ter uma ideia, no estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, houve um total de 11.950 boletins de ocorrência, o equivalente a 32 casos de estupro por dia, e a situação se repete por todo território nacional.

Já ouvi de uma pessoa, em rodas de conversa, que o machismo é só a visão distorcida dos fatos e me deu um exemplo - em empresas as mulheres geralmente tem mais liberdade com roupas do que homens, que são “obrigados” a ficarem naqueles ternos superquentes - vejam só que triste sofrimento! Mal sabe esse colega que na verdade as roupas femininas são mais soltas por práticas machistas, visto que até em estabelecimentos formais, como fóruns ou instituições de ensino, são valorizados os decotes e as saias. (Felizmente, apesar de ainda existir, essa prática tem diminuído).

Esse colega me questionou o porquê de as feministas não lutarem por serviço militar obrigatório, como acontecem com os homens, e novamente, o rapaz desconhece que isso é inversão de responsabilidade. Não seria mais lógico nós homens lutarmos por esse direito, o de não ser obrigatório?

Como na maioria dos meus posts, gosto de informar quando as pessoas se apegam a premissas básicas para apoiar um lado, e essa ignorância de informações a coloca quase sempre onde não gostariam de estar, por exemplo: O Machismo é a supervalorização de características masculinas em detrimento das femininas, e o contrário disso? Feminismo você pensou? Não, o inverso disso é o Femismo. Agora pense, quantas femistas você conhece?

Já algumas pessoas são movidas a base de dados de pesquisas, vamos ver se esses ajudam: 48% das mulheres agredidas declaram que a violência aconteceu em sua própria residência; no caso dos homens, apenas 14% foram agredidos no interior de suas casas (PNAD/IBGE, 2009).

3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, aponta pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular (nov/2014).

Aqui no Brasil, segundo dados relativos ao ano de 2018, 4 mulheres são mortas para cada grupo de 100 mil, o que significa o número de 74% superior à média mundial.

Se você der uma leve pesquisada vai encontrar um mar de informações como essas.

O machismo também tem base religiosa. O patriarcado religioso faz com que tenhamos apenas papas e bispos (machos), que a ideia de um deus seja masculina, que Adão tenha sido feito primeiro e a mulher veio para não lhe deixar entediado, que um homem pode dar suas filhas para serem estupradas, que os mesmos podem se casar com várias, mas a mulher não, que adulteras devem ser apedrejadas, que a mulher deve ficar calada enquanto o homem fala... Melhor parar, não é? Isso não acabaria nunca. Claro que as religiões mais ocidentais também têm abandonado tais práticas, porém, ainda estamos bem longe de superarmos esse mal.

Existem ainda situações em que as mulheres são colocadas em uma posição de culpa, o machismo aqui faz com que se invertam os papéis, e a mulher agora é a culpada pelo que sofreu. Vai dizer que você nunca ouviu frases clássicas como: “Foi estuprada por que quis, por que estava vestida assim?”. “Por que não se cuidou, ficou andando de madrugada na rua, aí vai ser estuprada mesmo”. “Fica com esse cara por que quer, tem que apanhar mesmo”. “Ela diz não, mas na verdade ela quer sim”. “Vai lavar uma louça!”. “Deve ser mulher! (Quando fazem algo errado no trânsito)”. Todas essas frases são machistas, que culpam as vítimas, ou que as inferiorizam por sua condição de ser mulher. 

Lembre-se colega, o estuprador é o único culpado pelo estupro, sem mas.

As práticas machistas são ancestrais, complexas e desafiadoras, e é por isso que todos nós precisamos abrir mais nossos olhos para ele, sejamos homens ou mulheres. Não existe receita do que se deva fazer, porém, existem dicas que você pode seguir para que possamos equilibrar melhor essa balança. Entenda primeiramente que nada disso te fará menos homem, ao contrário por sinal. Então, começa-se pelo básico, arrume sua cama! É meu querido, ensine seu filho também, não espere a mamãe arrumar. Lave a louça, no mínimo o que você sujar, muitas famílias fazem revezamentos, um dia uma pessoa lava, no outro dia outra pessoa. Não fique dando cantadas desrespeitosas na rua, não insista quando ela dizer não, não ache que é dono de uma mulher, pare de dizer que mulheres são desequilibradas, pare de espalhar que elas não dirigem bem, não julgue suas roupas, penteados ou qualquer outro adereço, enfim... Isso é só o mínimo, é só a sua obrigação.

Do estado, só podemos esperar a criação de políticas públicas ao combate a esse tipo de violência, no entanto, o que vemos é um Governo focado em flexibilizar o porte de armas, o que pode alavancar os casos de homicídios.

A você mulher, conheça seus direitos, conheça a lei Maria da Penha, leia, se informe, busque proteção familiar ou judicial, faça o possível para não se isolar de sua família e amigos. Não espere mais.  

Mais informações:
Feminismo Sempre: Sobre o Femismo.
Compromisso e atitude: Estatísticas sobre violência.