Meritocracia (Pllano Geral)

Então pessoas, esse breve texto serve para esclarecer alguns equívocos que vejo sendo replicados por aí sobre a meritocracia no sistema público de educação.

Antes de tudo, é importante que você compreenda a diferença entre igualdade e equidade. Simplificando, igualdade é o fato ou filosofia em que direitos ou qualquer serviço da sociedade devem ser distribuídos de forma uniforme, alguns até entendem a igualdade como uma forma de justiça. Esse é um exemplo simples para você entender o problema da igualdade: Imagine que você está num deserto com duas pessoas, você encontra uma garrafa d’água e pode dividir entre vocês três, justo seria ser um terço da água para cada um, correto? Não exatamente, por que você estaria ignorando muitas contingências, como por exemplo, quem está há mais tempo no deserto, quem está com mais sede, quem tem mais idade, se há alguma criança, enfim... é exatamente aí que entra a equidade, que no caso, seria considerar as variantes do ambiente e do indivíduo em questão.


E a meritocracia? A mesma pode ser compreendida como um sistema de classificação ou de hierarquia baseado em mérito, ou seja, “ganha quem merece”. A questão aqui é que a meritocracia sofre do mesmo problema do conceito de igualdade utilizado, pois ela por si só, desconsidera as contingências do indivíduo e do ambiente. Vamos a mais um exemplo, vou usar dois garotos brancos caucasianos para você não achar que sou um esquedopata, poderia ser qualquer tipo de pessoa. Suponha que esses dois garotos, caucasianos, loiros, altos... um é bem pobre e o outro é de classe média, esse garoto que é pobre, as vezes não estuda, vai trabalhar nas ruas para ajudar a mãe que é solteira e tem que sustentar seus outros 4 irmãos mais novos, já o outro rapaz, o de classe média, estuda o dia inteiro, sua mãe (também solteira) paga cursos para ele na parte da tarde. Esses dois rapazes crescem e vão prestar vestibular para a UNB (Universidade de Brasília). Olha só o destino, agora eles estão fazendo a mesma prova, as mesmas questões, na mesma sala, no mesmo horário... quem tem mais chances de passar?

Não é que considero que o rapaz mais pobre não tenha capacidade de ter bons estudos, pois ele tem, o problema é que possivelmente o mesmo não teve acesso a toda a gama de conteúdos que o rapaz de classe média, e isso automaticamente lhe deixa para trás na batalha do vestibular.

O que acontece é que esse sistema educacional atual das universidades públicas se moldou de forma a beneficiar quem já é de classe média ou alta e não aos pobres, é exatamente por isso que vemos na UNB principalmente o perfil desse exemplo de estudante, pois há uma imensa concorrência desleal nos vestibulares. Aqui por si só já se justificariam as cotas, mas isso é assunto para outro texto. A meritocracia está longe do conceito de justiça, a mesma aplicada no sistema público educacional não só se distancia da mesma como faz praticamente o oposto, já que quem está sendo beneficiado é o indivíduo - economicamente falando – que menos merece, como já foi dito.

Os new apoiadores da meritocracia distorcem a realidade, e por vezes nem sabem como ela funciona. Achar que todos estamos a pé de igualdade é um pensamento totalmente infantil, para não dizer outra coisa.

Um abraço!