Divertida Mente (Pllano Geral)

ESSE ARTIGO CONTÉM SPOILERS! 

Olha, sinceramente eu não sabia por onde começar a falar desse filme, tanto que comecei falando que não sabia por onde começar... vai entender.

Esse filme, como já viram no título desse texto, é o Divertida Mente! E me arrisco a dizer seres humanos, que é para mim o melhor filme da história da Disney! (Tirando aquele que o pai do leãozinho morre).

Como talvez alguns já saibam, sou estudante de psicologia, e foi lindo ver que o filme trouxe algumas ideias bases da psicologia cognitiva, trazendo noções de memória de curto prazo, de memórias bases e até de como elas se formam. O filme é rico em trazer noções simplificadas e animadas de algo que pode ser confuso até para alguns estudantes.

Mas há mais psicologia por trás desse filme, ele é capaz de desmistificar toda uma crença generalizada, uma lenda social, e de gosto peculiar, de uma busca incessante em ser constantemente feliz! Isso mesmo, essa correria que fazemos praticamente todo dia, afim de um estado utópico que chamamos de felicidade. Não é segredo, que já para muitos, a felicidade é entendida como um momento, assim como qualquer outro estado do humor, demonstrando o quão maleáveis somos nós pessoas. Alerta, se continuar pode acabar ficando triste!

Você gosta de azul? Eu gosto... Nossa amiguinha Tristeza é um sentimento, é um estado que ocorre principalmente após um fato que incomodou o sujeito, pode ser algo traumático, algo decepcionante, algo angustiante ou até algo surpreendente (ou tudo ao mesmo tempo). É importante não confundirmos com estados depressivos do humor, no qual pode ser patológico. Falamos aqui de uma tristeza que te auxilia na superação de perdas, na tristeza que pode vir acompanhada daquele choro longo, mas, que pode aliviar nosso corpo e nossa mente de maneira inconfundível.

A tristeza pode estar por todo lugar, ela pode estar na música, pode estar num texto como esse, pode estar em imagens, em cheiros, e olha só, também está em filmes! Porém, existe um local extraordinariamente importante que a tristeza está, e é nas suas lembranças! Eu sei como é complicado por exemplo, quando toca aquela música do ex-namorado ou ex-namorada, ou quando se olha para a foto de um ente querido que já faleceu, ou aquele animal de estimação que adorava tanto (eu fico triste com tudo isso), é interessante pensarmos em quão parceiras são a tristeza e a saudade, digamos que são uma tríade, lembrança/memória, tristeza e saudades. É óbvio que ficamos triste com muito mais coisas, não só as que queremos de volta, mas, a tristeza ainda sim faz seu trabalho, o trabalho de nos organizar.

Eu poderia falar de todas aqui, do Raiva, da Nojinho, do Medo, e até da Felicidade, que são por si só, partes essenciais de nós mesmos, no entanto, a Tristeza é a melhor parte de tudo isso. O que nossa querida e pequena azulada  foi capaz de demonstrar nessa obra, é a realidade nua-e-crua da vida de todos nós, a de que a tristeza é também base na construção do ser humano, e de que não adianta querer fugir, só a aceite, e deixe que a mesma faça sua parte no seu bem estar. 

“Cuidado com a Tristeza, ela é um vício”. Gustave Flaubert